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Escolta, hospital e exaustão: motociclistas brasileiros vivem pesadelo para deixar Argentina

por Escolha Viajar

Desde a semana passada, a Argentina tomou medidas de isolamento extremas para impedir que a pandemia do novo coronavírus se espalhe pelo país. A decisão pegou de surpresa dezenas de turistas que viajavam de carro e motocicleta pelas estradas argentinas, o que é algo bastante comum. Muitos brasileiros vão ao país sobre duas ou quatro rodas em busca de algumas das rodovias mais famosas do mundo: a Ruta 3 e a Ruta 40, que cruzam o território quase de norte a sul.

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Entre os que foram surpreendidos pelas restrições bem no meio da viagem de férias estão a jornalista Ticiana Giehl, 37 anos, e seu pai, o funcionário público Sergio Giehl, de 62 anos. Ambos haviam saído da cidade de Santa Cruz do Sul (RS) no dia 29 de fevereiro e dirigido quase 5.000 quilômetros de moto até a cidade de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Quando estavam em Río Gallegos, ficaram sabendo do fechamento das fronteiras e dos parques nacionais.

Como não haveria mais possibilidades de fazer os passeios que planejavam, resolveram iniciar a volta para casa, trajeto que fariam normalmente em sete dias. No entanto, o governo argentino decidiu endurecer ainda mais as restrições de circulação e elas afetaram especialmente os estrangeiros: não seria mais possível entrar nas cidades, apenas para abastecer a moto ou o carro; e as refeições disponíveis eram somente as das lojas de conveniências dos postos.

Foi aí que o pesadelo começou, conforme relata Ticiana: “Em um dia, tudo estava aberto e funcionava normalmente. Nos hospedamos em um hotel em Río Gallegos e jantamos em um restaurante. No outro dia, fomos surpreendidos por medidas que restringiam a circulação de estrangeiros de forma muito severa. Não houve por parte do governo argentino qualquer planejamento para auxiliar os centenas de turistas que viajam pelo país de moto ou carro.

Saímos da cidade com direção a Comodoro Rivadavia, 600 quilômetros ao norte, onde pretendíamos passar a noite. Já no primeiro posto de combustível vimos que algo havia mudado. Não era mais possível sentar dentro da loja de conveniências para comer, tínhamos que comprar o que quiséssemos e consumir lá fora. No segundo posto, 200 quilômetros adiante, fomos parados por uma barreira policial. Disseram que tínhamos cinco minutos para abastecer e precisávamos ir embora.

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Nas duas cidades seguintes, incluindo aquela onde pretendíamos dormir, fomos parados em barreiras policiais e obrigados a aguardar por até uma hora para que uma escolta policial nos conduzisse para fora. Não pudemos entrar em nenhuma delas para procurar hospedagem e nos orientaram a tentar na próxima cidade, Trelew, que fica a quase 400 quilômetros de distância. Começamos a nos desesperar, pois já estávamos dirigindo há muito tempo e o cansaço era grande.

No meio do caminho para Trelew, encontramos um grupo de sete motoqueiros do Rio de Janeiro na mesma situação que nós: sem ter para onde ir. Decidimos seguir viagem todos juntos para nos protegermos. Quando chegamos a Trelew já eram 22h, sendo que dirigimos os últimos 200 quilômetros na escuridão total, o que é muito perigoso nessa região da Argentina, pois há muitos animais na pista. Exaustos, fomos parados em outra barreira policial na entrada da cidade.

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Depois de muita conversa e até mesmo choro de algumas das mulheres do grupo, a polícia decidiu nos deixar passar a noite em Trelew. Mas não livremente. Primeiro, fomos todos levados sob escolta a um hospital, onde fomos questionados e examinados pata atestar que não tínhamos sintomas de contaminação pelo novo coronavírus. Depois, a polícia nos levou até um hotel para passar a noite. Quando tudo terminou, já eram 2h e estávamos mortos de fome e cansaço.

No dia seguinte, percebemos que não havia alternativa a não ser sair da Argentina o mais rápido possível, pois os agentes de saúde e segurança do país não tinham qualquer orientação de nos ajudar, apenas de nos empurrar para o norte, de volta ao Brasil. Planejamos percorrer 2.000 quilômetros em direção à fronteira entre Passo de Los Libres e Uruguaiana em apenas dois dias. Algo extremamente cansativo para se fazer de moto: o corpo começa a ficar todo dolorido e sem posição.

Começamos a rodar apenas por estradas secundárias para reduzir o número de barreiras policiais onde éramos parados e questionados continuamente. Isso tornou a viagem ainda mais demorada e longa. Parávamos a cada 200 quilômetros por apenas 10 ou 15 minutos para abastecer, tomar água e comer um sanduíche, ou não chegaríamos. Apesar do cansaço e desconforto corporal, conseguimos cumprir a meta dos primeiros 1.000 quilômetros às 20h.

Assim que começou a escurecer, procuramos lugar para ficar em uma pequena cidade da província de Buenos Aires, mas fomos novamente impedidos de entrar. Nos orientaram a dormir em um posto de gasolina cinco quilômetros adiante. Ou seja, dormir ao relento, no chão. Sem saída, fomos para lá. Encontramos uma policial abastecendo o carro que se penalizou da nossa situação e do nosso cansaço e nos levou até um motel que ficava na própria rodovia.

Ela solicitou aos donos que nos hospedassem apenas aquela noite e, depois, levou os agentes de saúde da cidade até lá para que fossemos examinados novamente. Um anjo no nosso caminho! No dia seguinte, acordamos cedo de novo e partimos para percorrer os últimos 1.000 quilômetros até o Brasil. Chegamos em Uruguaiana às 20h do dia 21 de março, mortos de cansaço e de dor no corpo depois de passar 12 horas por dia em cima da moto por três dias seguidos. E o pesadelo acabou!”

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