Página inicial EuropaFrança Castelo de Chantilly: Onde fica e como visitar saindo de Paris

Castelo de Chantilly: Onde fica e como visitar saindo de Paris

por Escolha Viajar
Fachada do Castelo de Chantilly vista do portão

Não existe a menor dúvida de que o Palácio de Versailles, na região metropolitana de Paris, é o mais belo do mundo. Mas depois de visitá-lo por três vezes ao longo dos últimos sete anos, podemos dizer com propriedade que Versailles é um passeio bastante cansativo, apesar de maravilhoso. O que cansa? Ficar até duas horas em pé numa fila para entrar, ficar se espremendo entre a multidão interminável que superlota as salas do palácio, ficar se desdobrando para tentar achar um ângulo em que não apareçam centenas de pessoas na sua foto, ser empurrado e pisoteado por grupos de excursão que precisam cumprir horário etc. Por isso, da última vez em que estivemos na França, buscamos um castelo alternativo para visitar. Um onde pudéssemos não apenas admirar beleza e história, como também um pouco de paz e calmaria. E foi assim que descobrimos o Castelo de Chantilly, uma joia que fica bem pertinho de Paris.

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Note que um passeio não exclui o outro! Embora seja super charmoso e tenha muitos atributos que justificam incluí-lo no seu roteiro na França, ele não se compara a Versailles em termos de luxo, pompa e circunstância. Afinal, tratava-se da residência do rei mais poderoso a governar a França – Luís XIV -, enquanto o Castelo de Chantilly foi habitado apenas por príncipes que eram parentes do monarca. Por outro lado, seu exterior impressiona e apaixona à primeira vista mesmo sendo bem menor que o ‘primo rico’. O castelo de paredes brancas e telhados cinzentos sobre torres de contos de fadas se ergue entre uma ponte e um lago, onde seu reflexo ressalta a beleza em dobro. Lindo de chorar no cantinho. E não para por aí. Ao redor do castelo estende-se um parque adornado por jardins franceses e ingleses. Outro ponto que Chantilly tem em comum com Versailles.

Na década de 1670, o príncipe Luís II de Bourbon-Condé, que havia caído em desgraça perante o rei e sido afastado da corte de Versailles, se dedicou a criar em Chantilly sua própria corte. Em seus salões recebia escritores e outras mentes brilhantes da época, dava grandes festas e servia seus convidados com os quitutes do chef François Vatel. Para embelezar o castelo, o príncipe contratou ninguém menos do que André Le Nôtre – o mesmo dos célebres jardins de Versailles – para desenhar seu parque. Ele mandou abrir o Grande Canal, desenhou os parterres franceses e criou o terraço atual, de onde se descortina toda a beleza milimétrica e formal do seu trabalho. Mas se os jardins são os mesmos desde então – tendo passado apenas por ampliações e acréscimos – o mesmo não se pode dizer do castelo.

Jardim francês do Castelo de Chantilly

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar

Embora exista desde a Idade Média, Chantilly só ganhou a arquitetura atual em 1882, quando foi reconstruído pelo último proprietário, o Duque de Aumale. Quinto filho do último rei da França, Luís Filipe I, o duque herdou a propriedade em 1830, mas a encontrou em ruínas depois de ter sido confiscada pela Revolução Francesa. Antes que pudesse empreender os trabalhos de restauro, Aumale acabou exilado na Inglaterra por mais de 20 anos devido à queda da monarquia na França. Lá, ele empregou seu tempo e sua fortuna para construir a segunda maior coleção de pinturas antigas do país, perdendo apenas para o Museu do Louvre. Quando retornou para suas terras, decidiu reconstruir o castelo para que servisse não apenas como residência, mas também de galeria para exibir suas obras de arte.

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Um ano antes de morrer, em 1896, sem ter nenhum herdeiro, o duque doou o Domaine de Chantilly – como é chamado todo o complexo – e sua coleção de arte para o Instituto da França. Mas havia uma condição: depois de sua morte, o local deveria ser transformado em um museu e aberto ao público, sendo conservado exatamente como ele deixara. E assim foi feito. Graças a Aumale, você pode conhecer tanto os jardins de Le Nôtre quanto o castelo, que hoje responde pelo nome de Museu Condé. Vamos falar passo a passo sobre a visita a seguir, mas nela não incluímos os Grandes Estábulos por dois motivos: o primeiro é o fato de equitação não ser um assunto de interesse da maioria dos brasileiros, e o segundo é que acabaria tornando o passeio muito longo e com menos tempo para as partes mais bonitas do domaine.

Castelo de Chantilly visto do jardim francês

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Castelo de Chantilly – Visita ao ‘château’

Assim que passar pela bilheteria, é só subir a rampa que leva ao terraço e você estará bem em frente ao castelo. No centro dele há uma estátua equestre, mas o que chama a atenção mesmo é a ponte sobre o fosso de água que leva para o ‘château’ – castelo, em francês – e também as torres nas esquinas do prédio. Depois de tirar todas as fotos que quiser, atravesse a ponte e se dirija ao acesso ao interior do castelo, ou Museu Condé. Aqui é preciso apresentar seu ingresso ou Museum Pass. A visita é dividida em três partes: coleção de arte (porta da direita), aposentos do duque (porta do centro) e capela (porta da esquerda). A ordem é aleatória e você pode escolher como a prefere, pois ao fim de cada ala do ‘château’ é preciso voltar ao hall de entrada para poder seguir pra a próxima.

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Digamos que inicie pelas pinturas. A coleção, como escrevemos mais acima, é bem grande e está espalhada por várias salas e corredores, sendo que você poderia perder algumas horas admirando tudo. Para quem quer um passeio mais rápido e prático, o foco devem ser a Galeria de Pinturas, o Santuário e a Tribuna. A galeria é uma gigantesca sala – a maior do Castelo de Chantilly – construída pelo Duque de Aumale como local de exibição de suas principais obras aos convidados. Suas paredes vermelhas são cobertas por mais de 80 quadros, entre os quais se destaca O Massacre dos Inocentes, de Nicolas Poussin. No lado oposto à entrada da galeria fica a Rotunda, uma estrutura circular que lembra um templo grego e abriga mais obras. Não perca Simonetta Vespucci, de Piero di Cosimo; e A Virgem de Loreto, de Raphael.

Galeria de Pinturas do Castelo de Chantilly

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar

Logo ao lado da galeria fica a porta de acesso ao Santuário, que está localizado em um corredor todo decorado com belíssimos vitrais. Lá dentro, os destaques são As Três Graças e A Virgem da Casa de Orléans, ambos de Raphael; e Esther Escolhida por Ahasuerus, de Botticelli e Lippi. Seguindo um pouco mais adiante pelos corredores, você encontrará a Tribuna, onde as pinturas mais importantes são Auto-retrato aos 24 anos e Retrato de Madame Duvaucey, ambos de Ingres. Finalizada a visita pelas salas da coleção de arte, você pode voltar ao hall e pegar a porta do meio para conhecer os aposentos do duque. O primeiro é a ante-sala da guarda, onde, por uma porta à esquerda, você pode acessar a sala de leitura, que abriga 60.000 volumes. Seguindo adiante, há uma bela sequência de aposentos ricamente decorados com muita pintura dourada, tapeçarias, quadros antigos e móveis do século XIX que pertenceram à família real.

Você vai passar pela Grande Singerie, Galeria das Batalhas, quarto do príncipe, Grande Sala do Canto e Sala de Música. Como dissemos antes, não é nem de longe tão grande quanto Versailles. Por fim, volte ao hall e pegue a passagem da esquerda, que passa por uma bela escadaria e leva à pequena capela do Castelo de Chantilly. Depois, é só procurar pela saída, que vai levar você à loja de souvenires e a uma porta lateral do ‘château’, que dá acesso a uma parte do jardim. Se quiser aproveitar para fazer uma pausa para o almoço, este é um ótimo ponto para sentar e comer seu lanche admirando os canteiros verdes e a fonte murmurante. Há dois restaurantes dentro do domaine, mas eles são caros e ficam meio distantes do foco do passeio, por isso aconselhamos você a levar comida pronta na mochila e só fazer um piquenique.

Quarto do Duque de Aumale, no Castelo de Chantilly

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Castelo de Chantilly – Visita aos jardins

Terminado o almoço, você pode começar o passeio pela área exterior do Castelo de Chantilly e aproveitar a caminhada para fazer a digestão, hehe. Não precisa ter medo de se perder, pois o jardim não é tão grande e está muito bem sinalizado. De qualquer forma, deixaremos abaixo um mapa do domaine. Na sua esquerda, você verá uma ponte sobre o lago que circunda o ‘château’. Do outro lado dela, vá para sua esquerda contornado a água. É neste local que você terá a melhor vista e foto de Chantilly, com o castelo refletindo na água. Depois, siga as placas para a Ilha do Amor (Île d’Amour). Na sua esquerda, do lado de fora dos estábulos, você verá as Bouvais Fountains. A ilha é bem pequena e artificial, construída apenas para a decoração do parque. Na frente dela, está a Ponte Grands Hommes. Depois, siga as placas para o Templo de Vênus, também decorativo.

Esta é a parte chamada de jardim inglês, onde caminhos de terra serpenteiam por pequenos lagos, gramados e árvores frondosas, sem um grande esforço de jardinagem. Por fim, siga as placas para o jardim francês de Le Nôtre. Ele é dividido ao meio por um canal e, de cada lado, há parterres com canteiros, um lago retangular central e fontes circulares ao redor. Em frente ao canal fica lago central circular que leva à escadaria de acesso ao terraço do castelo. Nas laterais dela, há fontes com figuras de filósofos. Do alto dela, você terá uma perspectiva encantadora de todo o conjunto simétrico e milimetricamente ajardinado. E pronto, você estará de volta à estátua equestre da entrada do Castelo de Chantilly, onde iniciou o passeio. Agora é só voltar para a estação de trem e, de lá, para Paris!

Castelo de Chantilly - Mapa do Domaine


Castelo de Chantilly – Horários

Durante a alta temporada de verão – do fim de março ao fim de outubro -, o Domaine de Chantilly abre todos os dias da semana, sendo que o castelo funciona das 10h às 18h e os jardins se estendem até as 20h. Já na baixa temporada de inverno – do fim de outubro ao fim de março – o conjunto abre todos os dias MENOS NAS TERÇAS-FEIRAS. Nos demais, a visitação pode ser feita a partir das 10h30, sendo que o castelo fecha às 17h e os jardins, às 18h. E ATENÇÃO: Chantilly fecha para férias durante quase todo mês de janeiro. Para conferir a data exata em que começam os horários da alta e da baixa temporada, além do fechamento anual, consulte o site oficial do castelo, pois elas mudam de ano para ano.

Castelo de Chantilly visto do jardim inglês

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Castelo de Chantilly – Preços

A entrada no ‘domaine’ – castelo + jardins – custa 17 euros e pode ser comprada tanto na hora (não costuma haver muita fila) quanto antecipadamente pelo site oficial. O ingresso apenas para os jardins sai por 8 euros de abril a outubro e 5 euros de novembro a março. O combo para família – dois adultos + duas crianças – custa 44 euros. Há ainda ingressos para ver shows equestres, tour guiado pelo castelo, tour guiado de mini-trem pelos jardins e aluguel de carrinhos de golfe. Você pode consultar todos os horários e preços na alta e na baixa temporada na página do castelo. O Paris Museum Pass é aceito para entrada do castelo – Museu Condé -, mas não para os jardins.

Castelo de Chantilly aceita o Paris Museum Pass

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Castelo de Chantilly – Como chegar

O Castelo de Chantilly está localizado na cidade do mesmo nome, a 40 quilômetros do centro de Paris. Se estiver viajando de veículo alugado, é só setar o château no seu GPS ou GoogleMaps e seguir viagem. Há estacionamento pago bem em frente à entrada ao custo de 5 euros. Mas a forma mais fácil e rápida de chegar é de trem. Os comboios partem da Gare du Nord e percorrem o trajeto até a Estação Chantilly-Gouvieux em apenas 20 minutos – mesmo tempo que leva a viagem até Versailles. No painel, você deve buscar pelos vagões que tenham como destino final Creil ou Compeigne e se certificar que Chantilly esteja entre as paradas listadas no caminho. As passagens custam 8,70 euros o trecho e podem ser compradas antes do embarque, pois não há risco de lotação nem desconto para adquiri-las com antecedência online.

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Mas se você quiser fazer isso ou consultar os horários de partidas dos trens, basta acessar o site da SNFC. Além da passagem individual, você também pode optar por um pacote promocional que dá direito a passagem de ida, volta e ingresso no castelo por 25 euros. Para mais informações, acesse o site da TER. Uma vez tendo desembarcado em Chantilly, há três formas de chegar até o castelo. A mais simples e barata é caminhar. São 2,4 quilômetros – ou pouco menos de 30 minutos – desde a estação até a bilheteria. O trajeto é praticamente uma linha reta: saia da estação, atravesse a Rua Roger Herlin e vá para sua direita até chegar na esquina.

Então, é só entrar à esquerda na Avenida de la Plaine des Aigles e andar até dar de cara com os portões do castelo (veja em detalhes no mapa abaixo). A segunda opção é pegar um táxi na estação, o que é uma boa opção para quem está em três ou quatro pessoas pois são menos de cinco minutos de trajeto até o ‘domaine’ e o custo vai ficar super baixo para cada um. A terceira opção é pegar um ônibus gratuito – que às vezes é identificado como DUC e às vezes é a linha 15 direção Senlis – que sai das proximidades da estação. Mas os horários são bem espaçados, especialmente em dias de semana e na baixa temporada, e o próprio serviço de informação ao turista nos desaconselhou a esperar por ele. De qualquer forma, você pode conferir a timetable aqui.

*** O Escolha Viajar esteve em Paris em julho/2011, agosto/2015, outubro/2017 e setembro/2018 ***

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