Página inicial EuropaFrança O que fazer em Reims: Roteiro de 1 dia e como visitar saindo de Paris

O que fazer em Reims: Roteiro de 1 dia e como visitar saindo de Paris

por Escolha Viajar
Cave da Veuve Clicquot, em Reims

Só existe um lugar no mundo onde se pode beber o verdadeiro champanhe – e não espumante – diretamente da fonte. É na região de Champagne-Ardenne, no norte da França. E se você é uma dessas pessoas que não quer viajar até o país sem sentir as bolinhas douradas estourando perfumadamente sob o nariz, programe-se para visitar a cidade de Reims. Ela divide o título de capital do champanhe com a vizinha Épernay, mas tem atrações para se visitar além das cavas e seu acesso desde Paris é mais fácil. Por isso, trata-se de um excelente passeio de bate-volta de um dia desde a capital. A experiência é tão sensacional que nada menos do que 3,5 milhões de pessoas visitam a cidadezinha de 300 mil habitante por ano. O champanhe envelhece nos quilômetros de cavernas e túneis sob Reims, que formam uma espécie de labirinto abaixo da cidade. Esculpidas em giz, algumas dessas passagens remontam ao tempo dos romanos.

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Muitas das maiores casas produtoras de champanhe têm sua sede em Reims, e a maioria está aberta para degustação e passeios. Entre elas estão Mumm, Taittinger, Veuve Clicquot e Möet & Chandon. Atente ao fato de que as visitas precisam ser agendadas com antecedência e que os tours em inglês se esgotam rapidamente. Por isso, recomendamos que você reserve o seu pelo menos um mês antes da visita. Se quiser conhecer a Veuve Clicquot é bom fazer isso três meses antes, pois a casa é muito procurada e tem um número bastante restrito de passeios ao dia. A única cava que não exige reserva é a Taittinger, porque suas visitas são feitas em grupos grandes – até 35 pessoas – e que saem de hora em hora. Mas, se quiser garantir seu ingresso também é possível fazer isso pelo site. Vamos detalhar como fazer reservas em ambas as casas mais adiante no texto 😉

Reims possui uma forma de produzir champanhe e um solo únicos, que resultam em uma bebida de qualidade excepcional. E não somos nós quem estamos dizendo isso, mas a UNESCO. Em 2015, a cidade recebeu o reconhecimento de sua champanhe, cavas e vinhedos como patrimônio cultural mundial. Com isso, Reims passou a figurar nada menos do que quatro vezes na lista da UNESCO. Os outros integrantes são a Catedral de Notre-Dame, a Basílica de Saint-Remi e o Palácio do Tau, todos tombados como patrimônios históricos da humanidade. Isso porque o que não falta a Reims é história. Embora hoje seja uma cidade bastante moderna e voltada ao mundo dos negócios, sua história começou a ser contada no Império Romano e sua produção de champanhe data da Idade Média. Mas o evento que marcou a cidade para sempre ocorreu em 496.

Naquele ano, Clóvis, o primeiro rei dos francos, decidiu se converter aos cristianismo e escolheu Reims como o local para o evento solene. Diz a lenda que, durante a cerimônia de batismo, uma pomba entrou na igreja e levou até as mãos do bispo o óleo sagrado com o qual Clóvis I seria ungido. Esse óleo foi guardado pela diocese da cidade e passou a ser considerado o único com o qual os reis da França poderiam ser consagrados no momento de sua coroação. Desde aquele momento até a Revolução Francesa, por um período de mais de 1.000 anos, todos os monarcas franceses foram coroados em Reims, o que a tornou um dos locais mais importantes do reino. Todo esse resplendor se reflete da Catedral de Notre-Dame, mas vamos falar dela mais adiante. Não só dela, mas de um roteiro bem detalhado – e com mapa! – do que fazer e onde beber champanhe em Reims em um dia.

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O que fazer em Reims – Catedral de Notre-Dame

Para aproveitar bem o passeio de um dia em Reims, é bom chegar à cidade no máximo até às 10h. O ponto de partida do roteiro é a estação de trens, onde você desembarcará se viajar de trem ou de ônibus. Saindo dela, atravesse o parque logo em frente em direção a sua esquerda e procure pela Rue Thiers. Agora, é só seguir caminhando reto por ela por cerca de 10 minutos e você vai sair diretamente na Catedral de Notre-Dame de Reims. Mas prepare o coração, pois a visão dessa imensa joia da arquitetura gótica com certeza vai te deixar sem fôlego! Suas paredes de pedra dourada testemunharam a coroação de nada menos do que 34 soberanos franceses entre os anos de 816 e 1825. Nem todas as cerimônias foram realizadas dentro do templo atual, que começou a ser construído em 1211 e só foi concluído cerca de 100 anos depois. Tudo foi destruído durante os bombardeios da Primeira Guerra Mundial e restaurado em 1937 e, novamente, em 2016.

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Primeiro, admire a impressionante fachada de 35 metros de altura (equivalente a um prédio de 12 andares), ricamente decorada com estátuas. O portal central é dedicado à Virgem Maria, como não poderia deixar de ser em uma igreja que se chama Notre-Dame – ou Nossa Senhora, em Português. Para entrar na igreja, use a porta da esquerda e repare na última estátua também do lado esquerdo. Garanto que você nunca viu uma alegoria religiosa tão feliz! Trata-se do L’Ange au Souorire, ou Anjo Sorridente, do século XVIII. Ninguém sai de Reims sem uma foto com ele. A entrada na catedral é gratuita, você só precisa pagar 7,50 euros se quiser subir os 250 degraus que levam à torre e de onde se descortinam belas vistas da cidade. Mas a parte mais bonita da igreja está bem pertinho do solo. A primeira coisa que você vai notar é a imensidão da nave, com seus 139 metros de comprimento. Acima do portal principal, admire o arco-íris da grande janela rosácea de 12 pétalas.

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Bem no centro da nave, há uma inscrição no chão onde se lê: ‘Ici Saint Remi baptisa Clovis rois des francs’. Ou, ‘aqui São Remi batizou Clóvis, rei dos Francos’. Na parte superior esquerda da nave há um gigantesco órgão gótico. Dando a volta por trás do altar principal, você vai ver ainda uma série de vitrais bem modernos, que foram criados pelo artista Chagall em 1974. Uma das capelas laterais é dedicada a Joana D’Arc e exibe uma estátua da santa guerreira vestida com sua armadura. Isso porque, um dos maiores feitos da jovem de apenas 20 anos foi ter libertado a cidade das mãos dos invasores ingleses e conduzido Carlos VII para sua coroação na Catedral de Reims, como era exigido em 1429. Ela esteve presente na cerimônia, em lugar de honra perto do altar, e vestia sua armadura como todos os outros guerreiros do rei. Algo impensável para qualquer outra mulher da época.

Catedral de Notre-Dame de Reims

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


O que fazer em Reims – Basílica de Saint-Remi

Saindo da catedral, você pode aproveitar a praça para fazer um almoço no estilo piquenique. Há vários restaurantes, padarias e lancherias nos arredores onde você pode comprar comida para levar e um supermercado na Rue de Vesle, 131. Depois de encher a pança, é bom fazer a digestão com uma caminhada. São cerca de 25 minutos (1,7 quilômetros) andando desde a catedral até a próxima atração do passeio: a Basílica de Saint-Remi. Pegue a rua que sai bem da frente de Notre-Dame, a Rockefeller, e vá até a esquina com a Rua Chanzy, onde deve entrar à esquerda. Depois é só ir reto, reto e reto. A Chanzy vai virar Gambetta e ainda Rua du Grand Cerf. Quando chegar à Rua Saint-Julien, dobre à direita e você já estará na lateral da basílica. A entrada é franca.

Assim como a catedral, esta antiga abadia beneditina fundada no século VI é tombada como Patrimônio Mundial da UNESCO. A deslumbrante nave central tem 121 metros de comprimento. Construída em estilo românico do século XI, ela foi ampliada por dois transeptos no final do século XII de forma a poder abrigar um número maior de peregrinos. Ao mesmo tempo, a fachada foi reconstruída e ergueram-se o coro, as galerias superiores e capelas laterais. Uma delas abriga o túmulo de São Remi, responsável pelo batismo de Clóvis I. Embora o estilo gótico seja aparente nessas transformações, elas não alteraram de forma alguma a homogeneidade e a beleza da igreja. Destacam-se ainda a coleção de vitrais do século XII e um grande órgão Cattiaux, inaugurado no ano 2000.

Basílica de Saint-Remi, em Reims

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Onde beber champanhe em Reims – Veuve Clicquot

Saindo da Basílica de Saint-Remi, é hora de finalmente beber champanhe! Para isso, você vai visitar uma das casas produtoras mais famosas e luxuosas do mundo: a Veuve Clicquot. Para chegar até ela, volte para a mesma rua de onde você veio, a Grand Cerf e entre nela à direita. Siga reto, contorne a rotatória e entre na Rua Saint-Léonard onde, poucos metros à frente, você verá a grande placa amarela que sinaliza o centro de visitantes das cavas. Mas, como dissemos lá no começo, é preciso marcar sua visita com antecedência. Para isso, acesse o site oficial da Veuve Clicquot. Existem três tipos de tours. O mais caro é o ‘Footsteps of Madame Clicquot’, que custa 53 euros, dura 1h45 e dá direito à degustação de dois tipos de champanhe. O meio-termo é o ‘Veuve Clicquot and Rose Champanhe’, que custa 40 euros e dura uma hora.

O mais econômico (que foi o que nós fizemos, claro) é o ‘Discovery’, que custa 23 euros, dura uma hora e dá direito a provar apenas uma champanhe da marca. Escolha aquele que lhe agrada mais e atente para reservar o passeio em inglês – a não ser que você fale francês, é claro. O tour vai levar você para as profundezas das cavas da Viúva Clicquot. Leve um casaco, porque é sempre frio lá embaixo. A visita consiste basicamente em passar por diversas cavas, ou ‘crayères’, onde o guia vai contar um pouco da história da marca, fundada em 1772, e sobre as diversas etapas da fabricação da verdadeira champanhe. As partes mais antigas das cavas da Veuve Clicquot são medievais e encontram-se a uma profundidade entre 15 e 20 metros. Se colocadas em sequência, elas se estenderiam por mais de 19 quilômetros.

As paredes de giz mantém a temperatura constante em cerca de 9ºC graus e também a umidade necessária para o envelhecimento do vinho. Você vai aprender como e por quanto tempo o vinho é envelhecido, como é o processo de girar as garrafas, como se retira os sedimentos etc. Ao fim do passeio ocorre a degustação do número de taças que estão inclusas no seu pacote. Além disso, é possível comprar doses individuais, garrafas inteiras e todo tipo de acessório na loja da cava. Se você optar pelo tour básico e tiver provado só o Brut Yellow Label, recomendamos também que peça uma taça extra do Rosé Champagne. Custa dolorosos 12 euros, mas é uma oportunidade única na vida de beber um dos melhores champanhes do mundo direto da sua fonte. Mas nada de sair bebendo como se não houvesse amanhã, pois já é hora de partir para a última visita do roteiro de um dia em Reims!

Cave da Veuve Clicquot, em Reims

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Onde beber champanhe em Reims – Taittinger

Depois de encerrada a visita à Veuve Clicquot, é hora de conhecer a segunda e última cava deste roteiro de um dia em Reims: a Taittinger. Para chegar até ela, volte pela rua de onde veio, a Saint-Léonard, contorne novamente parte da rotatória e pegue Boulevard Victor Lambert à direita. São apenas três quadras de caminhada até a Place Saint-Nicaise, onde você verá os portões da casa de champanhe à direita. Ao contrário da classuda Veuve Clicquot, não é preciso marcar com antecedência o tour pela Taittinger porque os passeios aqui são mais ‘povão’, digamos assim. Há saídas de hora em hora e os grupos são compostos por até 35 pessoas. Com certeza é uma experiência imperdível, mas um pouco mais difícil de desfrutar devido ao barulho e turistas que se dispersam pelo caminho.

De qualquer forma, se preferir fazer a reserva, é só acessar o site da Taittinger. Há cinco tipos de tours disponíveis. Todos têm o mesmo teor, duração e ocorrem juntos, sendo que a única diferença é a quantidade de tipos de champanhe que você terá direito a degustar no fim. O ‘L’instant premier’ custa 19 euros e dá direito a uma taça; o ‘L’instant dévoilé’, duas taças a 30 euros; o ‘L’instant signé’ também duas, mas uma delas é de tipo superior de champanhe, a 40 euros; o ‘L’instant absolu’ são três taças por 45 euros; e o ‘L’instant de Grâce’ premia você com duas taças de champanhe de tipo superior por 55 euros. O conteúdo do passeio é basicamente o mesmo da Veuve Clicquot e de quaisquer outras grandes casas produtoras da região.  A diferença são alguns detalhes históricos. Parte das cavas da Taittinger ocupa pedreiras romanas do século IV, enquanto outros trechos foram escavados por monges beneditinos no século XIII.

No grand finale, a degustação das taças inclusas no seu pacote e a tradicional lojinha de doses individuais, garrafas e acessórios para champanhe. Não esqueça de fazer um brinde a Reims, porque o seu passeio pela cidade termina aqui! É hora de voltar para estação de trens e para Paris. Se você estiver vem disposto, pode encarar a caminhada de cerca de 30 minutos (2,6 quilômetros) até a ‘gare’. Afinal, você está de férias e conhecendo uma cidade nova, pode andar sem pressa. Saindo da Taittinger, é só atravessar a praça e pegar a rua oposta, a Saint-Sixte, e andar até a esquina com a Rua du Grand Cerf, aquela mesma por onde você veio desde a catedral até a basílica. Entre à direita e siga até dar de cara com a praça em frente à estação. A via vai mudando de nome, mas o caminho é basicamente uma linha reta. E então Adieu’, ou melhor, ‘au revoir’, Reims!

Cave da Taittinger, em Reims

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar


Como chegar a Reims saindo de Paris

Reims está localizada na região de Champagne-Ardenne, 145 quilômetros a nordeste de Paris. Se você estiver viajando pelo país com um carro alugado, é só setar a cidade no GPS e aproveitar o trajeto de 1h45 minutos pelas excelentes estradas francesas – faça a cotação do seu veículo aqui. Mas a forma mais simples, confortável e econômica de se deslocar até Reims é de trem. As passagens custam a partir de 15 euros o trecho e a viagem demora apenas 45 minutos. Os comboios partem da Gare de L’Est, em Paris (acesso pelas linhas 4 e 7 do metrô), e chegam à estação central de Reims, deixando você quase no coração da cidade. Mas a frequência de trens não é muito alta – quatro ou cinco saídas por dia -, então é bom garantir seus tickets com antecedência. Para mais  informações e compra de passagens, acesse o site da SNCF.

Outra maneira de se locomover até Reims é a bordo da única linha de ônibus diária que liga a capital francesa à capital da champanhe. A viagem demora três horas, mas sai por um preço bem mais amigável: a partir de 5 euros o trecho. Os coletivos da empresa Ouibus – antiga IdBus – partem em quatro horários, mas o único que permite fazer o passeio indo e voltando a Paris no mesmo dia é o que sai às 7h da Estação Bercy (acesso pelas linhas 6 e 14 do metrô). No entanto, o ônibus não deixa você exatamente em Reims, mas na Gare do TGV de Champagne-Ardenne, a oito quilômetros de distância. Nada que dificulte muito a situação, já que lá mesmo você pega o trem regional e em cinco minutos desce na estação central de Reims. Para mais  informações e compra de passagens, acesse o site da Ouibus.

Estação Ferroviária de Reims

Foto: Ticiana Giehl e Marquinhos Pereira/Escolha Viajar

*** O Escolha Viajar esteve em Reims em agosto/2015 e setembro/2018 ***

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2 comentários

Manoela Pires 25 de abril de 2019 - 17:42

Olá! Adorei o roteiro! Gostaria de saber mais ou menos a duração, pra programar o horário dos trens de ida e volta. Vocês voltaram no trem de que horas?

Responder
Escolha Viajar 27 de abril de 2019 - 20:35

Olá, Manoela!
Na primeira vez que estivemos em Reims fomos de ônibus. Saímos de Paris às 7h e chegamos em Reims às 10h10, e saímos de Reims às 20h20, desembarcando em Paris às 23h. Na segunda vez, fomos de trem. Saímos de Paris às 10h29 e chegamos em Reims às 11h30, e saímos de Reims às 19h15, desembarcando em Paris às 20h01. Nesta segunda visita, não fomos à Basílica de Saint-Remi. Creio que o ideal para fazer o roteiro completo seria pegar o trem anterior, que parte da capital às 8h28 e chega em Reims às 9h14.
Um abraço,
Tici&Marquinhos

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